O destino das embalagens plásticas depois do uso pelo consumidor final ganhou peso dentro das discussões estratégicas da indústria, deixando de ser apenas um problema de gestão pública e passando a envolver diretamente fabricantes e marcas. Elias Assum Sabbag Junior atua diretamente nesse contexto, em um momento em que o pós-consumo passa a ser tratado como etapa da cadeia produtiva, e não apenas como responsabilidade externa.
Boa parte das embalagens descartadas pelo consumidor segue para sistemas de coleta que variam enormemente de cidade para cidade, o que dificulta padronizar soluções de logística reversa em escala nacional. A fragmentação na infraestrutura de coleta acaba determinando, em grande medida, qual percentual do material plástico de fato retorna à cadeia produtiva.
Em muitos lares, a separação de resíduos recicláveis ainda depende de hábitos pouco consolidados, o que reduz a qualidade do material que chega às centrais de triagem. Embalagens contaminadas por restos de alimento ou misturadas a outros tipos de plástico costumam perder valor comercial, mesmo quando tecnicamente recicláveis.
Pressão por transparência eleva o pós-consumo à pauta estratégica
Compradores corporativos e consumidores finais têm cobrado, cada vez com mais frequência, transparência sobre o que acontece com a embalagem depois que o produto é consumido. A cobrança coloca fabricantes em posição de ter que apresentar respostas concretas, e não apenas discursos genéricos sobre sustentabilidade.
Elias Assum Sabbag Junior explica que essa pressão tem levado fabricantes a participar ativamente de programas de logística reversa, indo além da simples produção e passando a se envolver também na etapa de retorno do material ao mercado.
Um exemplo desse tipo de iniciativa são pontos de troca instalados em parceria com redes de varejo, em que o consumidor recebe algum benefício ao devolver embalagens usadas, criando um canal de retorno mais direto do que depender exclusivamente da coleta seletiva tradicional.
Iniciativas que ampliam a coleta de material pós-consumo
Programas de logística reversa estruturados em parceria entre indústrias, cooperativas de catadores e redes de varejo vêm ganhando força como alternativa à dependência exclusiva da coleta municipal. O modelo distribui responsabilidades entre diferentes elos da cadeia e tende a aumentar o volume de material efetivamente recuperado.
A divisão de custos entre os participantes do programa costuma ser definida conforme o volume de material processado por cada elo, o que exige acordos comerciais bem estruturados para evitar disputas sobre responsabilidade financeira da operação.
A Cartonale se destaca entre as empresas que estabelecem colaborações com cooperativas de reciclagem para aumentar a coleta de materiais pós-consumo, ajudando a reduzir a distância entre o descarte realizado pelo consumidor e a reintegração do material nos processos produtivos.
O tipo de parceria também contribui para gerar dados mais confiáveis sobre volume e qualidade do material coletado, informação que se torna cada vez mais relevante em relatórios de sustentabilidade exigidos por clientes corporativos.
Outro caminho explorado por algumas marcas é a comunicação direta com o consumidor sobre como descartar corretamente cada tipo de embalagem, reduzindo a contaminação do material reciclável já na origem do descarte doméstico. Investir nesse tipo de orientação, ainda que pareça um esforço de comunicação simples, tende a gerar impacto mensurável na qualidade do material que efetivamente retorna às centrais de triagem.

Obstáculos que ainda limitam a eficiência da coleta pós-consumo
Na ótica de Elias Assum Sabbag Junior, a falta de educação ambiental consistente continua sendo um dos principais entraves, já que parte significativa do material com potencial de retorno acaba descartada incorretamente, misturada a outros tipos de resíduo, o que reduz seu valor e dificulta o reaproveitamento.
Outro fator relevante é a dispersão geográfica de cooperativas e centros de triagem, que muitas vezes não têm capacidade logística ou financeira para atender grandes volumes de material de forma constante, dependendo de apoio externo para manter operação regular.
Uma cooperativa pequena, por exemplo, pode ter capacidade para processar determinado volume mensal de material, mas enfrentar dificuldade para escalar essa capacidade quando a demanda de parceiros industriais cresce rapidamente, gerando descompasso entre oferta e necessidade real do mercado.
Como o engajamento com pós-consumo pode beneficiar fabricantes?
Fabricantes que investem diretamente em estruturas de logística reversa tendem a ter acesso mais previsível a matéria-prima oriunda de pós-consumo, reduzindo dependência de fornecedores externos e ganhando argumento concreto em negociações com clientes que exigem comprovação de práticas sustentáveis.
Acordos de fornecimento de longo prazo com cooperativas estruturadas tendem a oferecer mais previsibilidade de preço e volume do que depender exclusivamente do mercado aberto de resina reciclada, sujeito a oscilações relacionadas ao preço do petróleo e à demanda internacional.
Elias Assum Sabbag Junior conclui que tratar o pós-consumo como parte da estratégia de negócio, e não apenas como exigência regulatória, tende a se tornar diferencial competitivo cada vez mais relevante para fabricantes de embalagens plásticas nos próximos anos.
Empresas que desejam estruturar ou ampliar parcerias de logística reversa podem buscar apoio especializado para mapear cooperativas regionais e organizar processos de coleta mais eficientes.
