Lucas Peralles

Gordura abdominal: Por que ela é diferente das outras e como abordá-la clinicamente?

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
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Lucas Peralles

Recomposição corporal tem muitas frentes, mas poucas geram tanta frustração quanto a gordura abdominal, isso porque, como expõe o Dr. Lucas Peralles, nutricionista e referência em nutrição esportista em São Paulo, ela parece ser a última a ir embora, resiste a dietas que funcionam em outras regiões do corpo e frequentemente volta antes de qualquer outro tecido adiposo. Essa resistência não é coincidência: a gordura abdominal tem características metabólicas e hormonais distintas das demais, e ignorar essas diferenças é um dos principais motivos pelos quais os protocolos convencionais falham nesse ponto específico.

Venha, com este artigo, entender mais sobre a gordura abdominal e como achar o médico perfeito para te auxiliar! 

Gordura visceral versus gordura subcutânea: uma distinção que muda tudo

Nem toda gordura abdominal é igual. A gordura subcutânea, localizada logo abaixo da pele, é a que aparece visivelmente e pode ser apertada com os dedos. A gordura visceral, por sua vez, fica depositada entre os órgãos internos, na cavidade abdominal, e não é visível nem palpável diretamente. É a gordura visceral que representa maior risco à saúde metabólica e que apresenta maior resistência às estratégias convencionais de emagrecimento.

Conforme destaca Dr. Lucas Peralles, fundador do Método LP e especialista em comportamento alimentar, a gordura visceral é metabolicamente ativa de forma desfavorável: ela libera ácidos graxos livres diretamente na circulação portal, que vai direto ao fígado, contribuindo para resistência à insulina, inflamação sistêmica e alterações no perfil lipídico. Quanto maior o acúmulo de gordura visceral, mais comprometido tende a ser o ambiente metabólico, o que cria um ciclo que dificulta o próprio emagrecimento.

A distinção entre os dois tipos de gordura abdominal também tem implicações práticas para o protocolo. A gordura visceral responde melhor a intervenções que melhoram a sensibilidade à insulina e reduzem a inflamação sistêmica do que a simples restrição calórica. Isso explica por que pessoas em déficit calórico podem perder peso em outras regiões do corpo, mas manter o volume abdominal relativamente estável.

Por que o cortisol é um dos maiores vilões da gordura abdominal?

O cortisol, hormônio produzido em resposta ao estresse, tem uma relação direta com o acúmulo de gordura na região abdominal, pois os receptores de cortisol são mais abundantes no tecido adiposo visceral do que em outras regiões do corpo, o que significa que níveis cronicamente elevados desse hormônio favorecem preferencialmente o acúmulo de gordura no abdômen.

Os pacientes com estresse crônico elevado frequentemente apresentam resistência específica à redução da gordura abdominal, mesmo quando o restante do processo está bem conduzido. O cortisol também estimula o apetite e aumenta a preferência por alimentos de alta densidade calórica, criando um ciclo que alimenta o próprio problema, explica Lucas Peralles.

Lucas Peralles
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O sono inadequado amplifica esse efeito, visto que a privação de sono eleva o cortisol, reduz a leptina e aumenta a grelina, criando um ambiente hormonal que favorece o acúmulo de gordura visceral, independentemente do protocolo nutricional em vigor. Tratar sono e estresse como variáveis clínicas, e não como questões secundárias, é parte essencial de qualquer abordagem séria da gordura abdominal.

Como a alimentação influencia especificamente a gordura abdominal?

A composição da dieta tem impacto direto sobre o acúmulo de gordura visceral, independentemente do balanço calórico total. Dietas ricas em carboidratos refinados, açúcares simples e gorduras trans favorecem o acúmulo visceral por meio de picos glicêmicos repetidos, hiperinsulinemia e inflamação sistêmica. Ajustar a qualidade da alimentação, e não apenas a quantidade, é o que produz resultado nessa região específica.

Aumentar a ingestão de fibras, priorizar gorduras anti-inflamatórias como as presentes em peixes, azeite e oleaginosas, e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados são intervenções com impacto documentado sobre a gordura visceral. Esses ajustes melhoram a sensibilidade à insulina, reduzem a inflamação e criam um ambiente metabólico mais favorável à mobilização da gordura abdominal.

A distribuição das refeições ao longo do dia também influencia a resposta insulínica e, consequentemente, o acúmulo visceral, evidencia Lucas Peralles. Refeições menores e mais frequentes, com proteína presente em cada uma, tendem a manter a glicemia mais estável e a reduzir os picos de insulina que favorecem o armazenamento de gordura abdominal.

Gordura abdominal responde a estratégia, não a intensidade

Mais restrição e mais treino abdominal não resolvem a gordura visceral. O que resolve é uma abordagem clínica que considera os mecanismos hormonais e metabólicos específicos dessa região e constrói um protocolo individualizado para endereçá-los de forma coordenada. Os principais fatores que influenciam a redução da gordura abdominal incluem:

  • Melhora da sensibilidade à insulina por meio de alimentação e treino
  • Manejo do estresse crônico e redução dos níveis de cortisol
  • Qualidade do sono como variável metabólica e hormonal
  • Redução de alimentos ultraprocessados e carboidratos refinados
  • Combinação de treino de força e exercício aeróbico no protocolo

Conforme demonstra o Dr. Lucas Peralles, nutricionista esportivo formado pela Universidade São Camilo, com pós-graduação em Bodybuilder e Nutrição Comportamental, trabalhar esses fatores de forma integrada é o que permite resultados concretos em uma região do corpo que responde mal a abordagens isoladas e genéricas. Esse é o tipo de trabalho conduzido na Clínica Kiseki: ir além do déficit calórico e olhar para o conjunto de fatores que realmente determinam onde e como o organismo mobiliza gordura. Para conhecer mais sobre como o Método LP aborda esse processo na prática, acesse: https://www.clinicakiseki.com.br.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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