Victor Maciel

Entre o Direito e a arte, Victor Maciel aposta no repertório como instrumento da advocacia

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Victor Maciel

Advogado tributarista e empresarial radicado em São Paulo encontra na música clássica, no modernismo e na arquitetura referências para pensar estratégia, negócios e uma advocacia menos convencional

Em um escritório na Vila Olímpia, um dos principais centros empresariais de São Paulo, processos, pareceres e reuniões dividem espaço com referências que nem sempre fazem parte do imaginário tradicional da advocacia. Música clássica, arquitetura, arte brasileira e livros de outras áreas compõem o ambiente de trabalho do advogado Victor Maciel.

Tributarista e empresarial, Maciel pertence a uma geração de profissionais que procura enxergar o Direito para além da legislação. Para ele, conhecer profundamente a técnica é uma premissa. O diferencial está no repertório construído fora dela.

“Um advogado precisa conhecer a lei, evidentemente. Mas também precisa compreender empresas, pessoas, economia, comportamento e o tempo em que está vivendo. O Direito não acontece isolado do mundo.”

Essa percepção tem relação com sua própria trajetória. Antes de concentrar sua atuação na advocacia, Maciel acumulou mais de uma década de experiência em consultoria empresarial, convivendo diretamente com empresários e decisões estratégicas. Hoje, leva essa visão para o escritório, principalmente em questões tributárias e empresariais.

Mas é fora dos códigos que estão algumas de suas principais referências.

A música clássica é presença recorrente nos momentos de trabalho e leitura. Na arte e na arquitetura, o advogado diz se interessar especialmente pelo modernismo e pela capacidade de transformar estruturas tradicionais sem abandonar técnica e funcionalidade.

Victor Maciel
Victor Maciel

Ele vê uma aproximação entre esse pensamento e a própria advocacia.

“Gosto da ideia de retirar excessos. Um problema pode ser extremamente complexo, mas a solução precisa ser compreensível. Na arquitetura, na música ou no Direito, sofisticação não deveria significar complicação.”

São Paulo também participa dessa construção. Entre o escritório na Vila Olímpia e o apartamento onde frequentemente continua suas leituras, Maciel diz encontrar na cidade uma combinação que o interessa: negócios, cultura, arquitetura e movimento.

Essa mistura ajuda a explicar por que ele rejeita a figura do advogado restrito ao universo jurídico. Em sua visão, repertório cultural não é apenas uma característica pessoal, mas uma ferramenta profissional.

Uma obra de arte não oferece uma tese tributária. Uma sinfonia tampouco resolve um processo. Mas ambas exercitam observação, interpretação e sensibilidade — capacidades que, segundo ele, também estão presentes no trabalho de construir uma estratégia jurídica.

“Existem situações em que todos estão olhando para os mesmos fatos e para as mesmas leis. O que muda é a maneira de interpretá-los e organizá-los.”

Em um momento no qual tecnologia e inteligência artificial começam a assumir parte crescente das tarefas técnicas das profissões jurídicas, Maciel acredita que essa dimensão humana tende a ganhar importância.

Para ele, o advogado contemporâneo precisará ser cada vez menos um simples detentor de informação e cada vez mais alguém capaz de atribuir sentido a ela.

É uma visão que aproxima uma das profissões mais tradicionais do país de um princípio bastante presente na arte: dominar a técnica para, depois, encontrar uma linguagem própria.

No escritório, Victor Maciel resume essa ideia de maneira simples:

“A técnica forma o advogado. Mas é o repertório que constrói a maneira como ele enxerga o mundo.”

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