Tiago Oliva Schietti

Família multiespécie e o luto pet: Como funerárias devem se preparar para acolher essa nova configuração familiar, com Tiago Oliva Schietti

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
6 Min de leitura
Tiago Oliva Schietti

Tiago Oliva Schietti explicita que a transformação cultural em torno do luto pet e da família multiespécie representa uma das mudanças mais significativas no comportamento social das últimas décadas. Animais de estimação deixaram de ocupar um papel secundário para se tornarem membros plenos do núcleo familiar, e essa mudança tem gerado uma demanda crescente por serviços funerários especializados. 

Nos próximos parágrafos, serão abordados os principais desafios e oportunidades que essa realidade apresenta para o setor, desde a escuta empática até a estruturação de cerimônias de despedida. Se você atua nessa área, continue lendo e descubra como se posicionar de forma estratégica e humanizada diante dessa demanda.

O que é a família multiespécie e por que ela importa para o setor funerário?

A família multiespécie é aquela em que animais, especialmente cães e gatos, são tratados com o mesmo afeto e consideração reservados aos membros humanos. Essa configuração já é majoritária em grandes centros urbanos brasileiros, onde milhões de lares convivem com pets que participam de rotinas, celebrações e momentos íntimos. Para o setor funerário, ignorar essa realidade significa perder relevância em um mercado em expansão e deixar de oferecer suporte a famílias que genuinamente precisam de acolhimento.

Compreender essa dinâmica exige uma revisão profunda dos serviços oferecidos. Não se trata apenas de criar um pacote específico para pets, mas de desenvolver uma cultura organizacional sensível ao vínculo afetivo entre humanos e animais. Profissionais do setor precisam entender que o luto por um animal de estimação é tão legítimo quanto qualquer outro processo de perda.

Por que o luto pet ainda é subestimado e quais são as consequências disso?

Apesar do avanço no reconhecimento emocional dos animais, o luto pet ainda enfrenta o julgamento social. Frases que minimizam a dor pela perda de um pet impedem que tutores busquem ajuda e prolongam desnecessariamente o sofrimento, gerando impactos reais na saúde mental. Essa invalidação emocional é um problema que o setor funerário tem o poder de combater ativamente.

Para as funerárias, esse cenário representa uma responsabilidade ética e uma oportunidade de diferenciação. Conforme destaca Tiago Oliva Schietti, ao oferecer serviços que legitimam a dor do tutor, a funerária se posiciona como um espaço de acolhimento genuíno, construindo confiança e contribuindo para a ressignificação de uma experiência inevitavelmente dolorosa.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Como as funerárias devem estruturar seus serviços para atender à família multiespécie?

A preparação começa pela capacitação das equipes. Funcionários que lidam diretamente com o público precisam desenvolver habilidades de escuta ativa, empatia e comunicação sensível, especialmente em momentos de intensa vulnerabilidade emocional. Treinamentos sobre luto pet e dinâmicas da família multiespécie são investimentos que se refletem diretamente na qualidade do atendimento.

Paralelamente, a estrutura física e os protocolos de serviço também precisam ser revistos. Espaços acolhedores, cerimônias personalizadas, urnas específicas para animais e parcerias com profissionais de saúde mental especializados em luto são diferenciais que agregam valor real. De acordo com Tiago Oliva Schietti, a funerária que se antecipa a essa demanda sai na frente em um mercado ainda pouco explorado no Brasil.

Quais práticas de acolhimento fazem diferença no atendimento ao luto pet?

O acolhimento começa no primeiro contato. Um atendimento que demonstre real compreensão pela perda, sem pressa ou frieza burocrática, estabelece um vínculo de confiança que facilita todo o processo. Pequenos gestos, como o uso do nome do animal durante o atendimento, têm impacto profundo no estado emocional do tutor e sinalizam cuidado genuíno.

No que diz respeito às cerimônias, a personalização é o elemento central. Rituais que incorporem a história do animal, seus hábitos e a relação com a família transformam um momento de dor em uma celebração de vida. Espaços para que todos os membros da família participem ativamente do ritual elevam a experiência e reforçam a legitimidade do luto.

O luto pet como caminho para um setor funerário mais humano

A família multiespécie é uma realidade consolidada que redefine o que significa perder alguém. Funerárias que se preparam para atendê-la com profissionalismo e sensibilidade estão investindo na humanização do próprio setor. Acolher o luto pet é ampliar a capacidade de estar presente nos momentos mais vulneráveis da vida das pessoas, transformando o serviço funerário em um espaço de cuidado integral, onde toda forma de amor e perda seja tratada com a dignidade que merece.

Mais do que uma tendência de mercado, essa é uma convocação ética para o setor. Conforme reforça Tiago Oliva Schietti, as funerárias que incorporarem essa visão em sua cultura organizacional não apenas se destacarão comercialmente, mas cumprirão um papel social relevante: o de reconhecer, validar e amparar o luto de famílias que amaram profundamente e que merecem ser acolhidas com igual profundidade.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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